Friday, March 24, 2006

O estado da OPOSIÇÃO..

Em todos os regimes democraticos existe sempre a chamada "oposiçao", funcionando como um contra-poder aos governos democraticamente eleitos, merecendo ser reconhecida como uma das principais instituiçoes de um estado de direito democratico, existindo para alguns sectores da doutrina, um verdadeiro direito fundamental de "oposiçao". O caso britanico, é paradigmatico para demosntrar a real importancia desta instituiçao, havendo mesmo a formaçao de governos sombra, que em Portugal apenas teve o acolhimento do entao lider da oposiçao, durao barroso, quando este fez oposiçao ao governo do engenheiro guterres.

A oposiçao tem como dever fundamental impor-se como uma verdadeira alternativa ao governo e denunciar as falhas da governaçao vigente. Torna-se por isso necessario fazer um ponto de situaçao do estado da oposiçao em portugal, apos uma ano de governaçao socialista.

No campo da esquerda, a maior oposiçao feita ao governo partiu de dentro do proprio partido, com a candidatura de manuel alegre a presidencia da republica, revelando uma certa divisao interna do partido socialista, entre a ala pro-governo e uma ala mais esquerdista, encarnada por manuel alegre, que nao se revê totalmente nos ideais do chefe de governo. A esquerda mais radical, o bloco de esquerda, parece ter feito algum pacto de silencio ou de nao agressao a este governo, mostrando uma certa inacçao ou mesmo uma paralesia na sua acçao de oposiçao ao governo, principlamente no parlamento. Por seu turno, o partido comunista, mercê dos bons resultados eleitorais que alcançou e da afirmaçao do seu lider, parece mostrar alguma resistencia á governaçao socialista, mas ainda sem grande vigor.

O lider formal da oposiçao, marques mendes, tem-se mostrado incapaz de fazer uma oposiçao seria e eficaz ao governo, pois nao consegur liderar ou unir o seu partido, quanto mais conseguir ser uma alternativa capaz a jose socrates que tem mostrado boa capacidade de liderança e autoridade. No entanto, é louvavel alguns elogios que tem feito ao governo, nao se preocupando com a chamada oposiçao-destrutiva que caracteriza sobretudo o bloco, mas nao conseguindo por outro lado, fazer uma oposiçao construtiva que permitisse trazer alternativas ás soluçoes apresentadas pelo governo em diferentes areas da governaçao. Sera um lider a prazo, quem se seguira?

Materialmente a oposiçao é liderada pela bancada parlamentar do CDS, que lidera tambem materialmente o seu partido, principalmente atraves do seu lider parlamentar nuno melo, que conseguiu acrescentar alguma qualidade a um parlamento recheado de maus parlamentares. Ribeiro e castro é um lider refem da sua condiçao de euro-deputado e refem da Ala Portista que segura a bancada parlamentar do cds.

Olhando para este estado de coisas, parece-me obvio afirmar que socrates podera conseguir em 2009, uma nova maioria absoluta...

7 Comments:

At 7:53 PM, Anonymous jorge miranda júnior said...

Se me permites caro Herdeiro, começarei pelo fim do post. Realmente, José Sócrates tem todas as condições para reeditar a maioria absoluta em 2009. Mas, não ligo essa probabilidade ao estado da oposição, mas sim ao estado do Governo. Ou seja, da observação à vida política portuguesa que tenho desenvolvido desde a minha infância, posso afirmar sem quaisquer dúvidas que as reeleições dos primeiros-ministros (isto metaforicamente falando, já que as eleições são para deputados, e não para PM) dependem sobretudo da acção governativa. Por muito bom que seja um líder da oposição, se o PM realizar um trabalho razoável/suficiente não tem qualquer dificuldade em voltar a exercer novo mandato. Foi assim com Cavaco Silva em 1991 e foi assim com António Guterres em 1999.
Feita esta observação, podemos dizer que José Sócrates tem tudo para, não só voltar a ser PM, como sê-lo com maioria absoluta do PS em 2009. Só depende do seu Governo, e a maioria absoluta de dispõe no Parlamento dá-lhe tudo para realizar um mandato em que possa colher todos os frutos no final do mesmo.
Manuel Alegre não passou de um epifenómeno que corporizou, não qualquer desagrado com o Governo, mas sim com a aventura desastrosa de Mário Soares, desse campo Sócrates não precisa de ter qualquer receio.
Os bloquistas estão com uma estratégia de cortesia a longo prazo, por forma a conquistar o PS para as suas "causas" fracturantes não hostilizando Sócrates tendo em vista um possível cenário de marioria relativa do PS em 2009.
Os comunistas continuam fiéis a si próprios e à sua ideologia arqueológica que teima a subsistir em algumas franjas da sociedade portuguesa, daí que não cause nenhuma surpresa a sua oposição sem tréguas até que em Portugal seja instaurada a saudosa Ditadura do Proletariado.
Ribeiro e Castro parece realmente um líder a prazo, subscrevo inteiramente as palavras do Herdeiro em relação à actual situação no PP.
Já em relação a Marques Mendes, discordo com o Herdeiro quando diz que o mesmo é um líder a prazo. Até agora tem revelado seriedade e credibilidade, sobretudo com a vassourada que deu em Isaltino Morais e Valentim Loureiro. Só espero que as eleições directas não sejam uma inversão no sentido da marcha que o PSD tem feito no último ano. Já quanto ao seu défice de liderança e à falta de alternativas devem-se a único factor: ausência de eleições legislativas no prazo de 3 anos. Já muitos se esqueceram da estrondosa vitória eleitoral nas autárquicas, que em muito se deveu a ele. E a vitória de Cavaco nas presidenciais também lhe deram uma certa dinâmica de vitória. Penso que tem todas as condições para em 2009 defrontar Sócrates nas eleições legislativas e conseguir um resultado melhor do que o PSD obteve em 2005.

 
At 2:16 PM, Blogger Capitão said...

A exemplo do que fez o colega Jorge Miranda jr., começo por analisar a tua última observação. Se é certo que com o actual "estado de graça" que o Governo PS e, muito particularmente, José Sócrates atravessam a renovação do mandato parece mais do que provável, não é menos certo que as vantagens políticas são bastante voláteis. Uma mão cheia de decisões menos boas da parte do Governo pode ser suficiente para que o eleitorado "vista" outra capa política em 2009. Acho portanto prematuro fazer futurologias em relação ao tema. O actual estado da Oposição é a meu ver o mais favorável ao Governo rosa, uma vez que nem da esquerda, mas sobretudo nem da Direita, surge uma oposição em sentido objectivo e subjectivo capaz de beliscar a liderança do PS.
Luís Marques Mendes demonstra em cada intervenção que a sua pequenez não é somente física, revelando sim falta de "estaleca" política para o cargo que ocupa, dentro de um dos maiores partidos portugueses. A sua acção tem-se confinado a "arrumações caseiras" que, concorde-se ou não com elas, lhe granjearam algumas derrotas pesadas nas últimas eleições autárquicas.
A José Ribeiro e Castro exige-se maior contenção nas palavras que profere, nomeadamente ao referir-se ao Ministro da Agricultura como "coveiro". Não é de bom tom para um homem com a sua formação e status político vir a público com declarações do género, porque afinal de contas isto ainda não é a República das Bananas, muito menos um episódio dos Monty Python.
A meu ver, não será certamente de dentro do PS que poderá surgir a divisão fracturante que prejudicará o Governo, isto porque, nos meses que antecederam as eleições legislativas, José Sócrates fez os seus "trabalhos de casa", tratando de reunir os consensos necessários dentro do seu partido antes de avançar com o projecto nacional. Só que em política nunca se sabe...

 
At 2:31 PM, Anonymous TIRANO MARXANTE said...

"Até agora tem revelado seriedade e credibilidade, sobretudo com a vassourada que deu em Isaltino Morais e Valentim Loureiro." - E ISABEL DAMASCENO?!?!?!?!?!

E para quando uma vassourada em definitivo no alberto joao jardim?!
Tinha vergonha de ser de um partido ondem milita esse quardiao do antigo regime!!!

 
At 3:06 PM, Anonymous Anti-hipócrita said...

E a Fátima Felgueiras, a quem Sócrates deu dois beijinhos nesta semana?
Já agora qual o problema de Alberto João Jardim ser um guardião do Antigo Regime? Estas bocas contra o passado glorioso do Estado Novo já passaram de moda! Viva Salazar! Vida Portugal! Deus, Pátria e Família!

 
At 9:13 PM, Blogger Capitão said...

LOL! Heil Hitler já agora... estes saudosismos bacocos dão cabo de mim. Ah! peço desculpa, isto é liberdade de expressão, já me estava a esquecer!

 
At 9:41 PM, Blogger Лев Давидович said...

Apesar de ser um fan incondicional do sistema inglês de maiorias aboslutas e de gostar que o fenómeno se verifique em Portugal (tanto á direita como à esquerda, muito honestamente), creio que o homónimo do filósofo terá de suar a camisola ainda mais do que na maratona de Lisboa.
Todavia, o caminho é bastante luminoso, aberto e quase certo.
Uma palavra para o que se disse de Marques Mendes. Apesar de notória falta de carisma, quando um governo faz o que lhe compete, ou seja, governa, nem o General Tito chega para derrubar a satisfação instalada.

 
At 12:15 PM, Anonymous André Trindade said...

Não é fácil fazer oposição a um governo que governa. (passo o pleonasmo)
Não é fácil fazer oposição a um governo que aplica medidas corajosas e ousadas.
Não é fácil fazer oposição a um governo que com pouco recurso consegue criar confiança e esperança. (ao contrário de outros governos com Fundos Comunitários diários...)
E claro, não é fácil fazer oposição a uma maioria absoluta.

Quando na oposição à direita estão dois líderes débeis, Mendes e Castro, não se pode esperar muito. Um, apesar de tentar limpar e credebilizar o partido, sabe que é um líder pouco convidativo para ser votado apesar das autárquicas e preseidenciais. Outro, com medo de antagonismos dentro do partido, tenta reforçar a liderança que, mesmo que saia reforçada, será débil pois o fantasma Portas está vivo e é desejado.

Se o PSD se opõe ao governo criticando em termos de quantidade as medidas do pacote simplex, dizendo que deviam ser 300 mas, afinal foram 200, não pode ir muito longe. Já de si é complicado fazer oposição a este governo, assim torna-se "impossível". (o simplex foi um exemplo, entenda-se)

Quando à esquerda, Louçã aparenta estar a estudar estratégias e se silencia estranhamente, Jerónimo continua a pedir Estado, Estado, Estado, quero mais Estado (!!!), a oposição fica comprometida.

No post sobre a avaliação do executivo, fechei dizendo que esperava não haver "trafulhices" do PS, rebuscando propostas da oposição para as propagandear como suas, fecho agora dizendo que, apesar de todos estes factores benéficos para a maioria socialista, a vida política é imprevisível e, com esta comunicação social, tudo pode mudar num segundo. Veremos...(como diz o cego lol)

Força

 

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